Alter do Chão: Guia da Praia Amazônica Inacreditável
Descubra Alter do Chão, a praia de água doce mais surpreendente do Brasil. Areia branca, trilhas na selva e aventuras no rio. Veja o guia completo!
Pensa que conhece a Amazônia? Pense de novo. Esqueça aquelas paredes verdes e impenetráveis dos documentários. Imagine outra cena: areia branca, água cristalina, brisa quente. E nem sinal de água salgada.
Bem-vindo a Alter do Chão. Chamam de Caribe da Amazônia. Eu chamo de lugar mais surpreendente em que você vai pisar. Não é só uma viagem de praia. É o encontro de dois mundos: de um lado, a força bruta da floresta; do outro, a beleza serena e ensolarada do Rio Tapajós. É de confundir a cabeça. No melhor sentido possível.
Não Perca
O pôr do sol na Ponta do Cururu, que pinta o céu de laranja. A subida que queima as pernas até o Morro da Piraoca, com vista 360 graus. O menu degustação de vitórias-régias na casa flutuante da Dona Dulce.
O Segredo Caribenho da Amazônia
Prepare-se para ter suas expectativas quebradas. As minhas foram. Cheguei achando que veria um rio bonito. Encontrei o paraíso. A água é doce. A areia, branquinha. A energia, contagiante.
Mas tem um detalhe: o timing é tudo. A paisagem aqui é viva, respira com as estações. Venha no verão amazônico, de agosto a dezembro. Os rios baixam e as praias aparecem. Novembro é o auge.
Na cheia, de janeiro a julho, tudo muda. A floresta alaga, as praias somem. Explorar a mata alagada de canoa é mágico. Mas se quer areia branca, só na seca. Simples assim.

Chegando ao Meio do Nada
Você precisa conquistar essa vista. Primeiro, chegue a Santarém. Voos diários de Brasília, Manaus e Belém. Ao desembarcar, escolha: economizar ou poupar sua sanidade.
O ônibus é barato. Muito barato. Mas não sai do aeroporto. É preciso ir até um shopping e pegar outro ônibus. Um perrengue. Pule essa parte.
Pegue um transfer ou táxi. São 40 minutos, cerca de R$ 100 a R$ 125. Fomos de transfer privativo. O motorista nos deixou na porta da pousada. Vale cada centavo. Você está na Amazônia. Não perca tempo suando em ponto de ônibus.
Ilha do Amor: O Cartão-Postal
Aqui está a foto clássica: Ilha do Amor. Fica em frente ao vilarejo. Na seca, quase dá pra ir andando. Mas vá de canoa, faz parte do ritual. A praia é cheia de barracas de palha, cerveja gelada, peixe frito. Fica cheia. Fica barulhenta.
Se não gosta de muvuca, caminhe mais pela areia. O barulho some, a beleza fica. Mas não fique parado. Procure a trilha para o Morro da Piraoca, um morro que domina a ilha. A subida é íngreme e quente, leva uns 45 minutos. As pernas ardem. Faça mesmo assim.
Lá em cima, são 110 metros de altura. A vista é panorâmica: 360 graus de rio, floresta e céu. Você vê a imensidão do Tapajós, o azul se misturando ao verde. Dá outra perspectiva. Essencial.
No Pulmão do Mundo: Flona
Chega de praia. Você veio para a Amazônia. Entre na floresta. Visite a Flona, a Floresta Nacional do Tapajós. Não é passeio de parque, é experiência real. Precisa de guia. Fomos com o Pitó, lenda dessas águas.
O barco leva até a comunidade Jamaraquá. De lá, a caminhada começa. Fizemos a trilha do Piquiá. É longa: de 9 a 11 km, dependendo do trajeto. Cansa. A umidade bate forte. Mas as recompensas são grandes.

O guia mostra a farmácia da floresta: leite de árvores, formigas que viram repelente, cipós com água potável. E então, você encontra ela: a Samaúma, avó da floresta. Tem 300 anos. São necessários 11 adultos de mãos dadas para abraçar o tronco. Perto dela, você se sente pequeno. É uma experiência espiritual.
Vida no Rio e Flores Comestíveis
A floresta é densa, mas é nos canais que a vida acontece. Faça um passeio ao Canal do Jari, um mundo de água. O barco passa por canais estreitos. Fique de olho nas árvores: vimos macacos pulando nos galhos. Procuramos bichos-preguiça (difíceis, mas estão lá).
O destaque aqui não são só os bichos, é o almoço. Mas não do jeito que imagina. A parada é na casa da Dona Dulce, que cultiva vitórias-régias. E cozinha as flores! Isso mesmo: você come as flores.
Custa cerca de R$ 30. Tem menu degustação: pipoca de sementes de vitória-régia, tempurá da flor, brownie. Criativo e delicioso. Dona Dulce é um gênio. Comendo flores num deck flutuante, você percebe como o povo do rio é inventivo.
Os Bancos de Areia Infinitos do Arapiuns
Pronto para um dia longo? Vá ao Rio Arapiuns, afluente do Tapajós. A água aqui é diferente, o clima é mais selvagem. O passeio de barco é demorado, você vai se molhar. O rio balança. Leve bolsa impermeável para proteger seus equipamentos.
Você visita bancos de areia que se estendem por quilômetros: Ponta do Icuxi, Ponta Grande. Alguns avançam 500 metros rio adentro. Parece que você anda sobre a água. O tamanho impressiona. Você é só um pontinho na areia branca cercada de azul profundo.

Pare na comunidade Coroca para o almoço. Lá tem projeto de tartarugas e produção de mel. Dá para ver as tartarugas amazônicas e aprender sobre o mel. Ótima pausa do sol.
Na volta, peça para o barqueiro parar na Ponta do Cururu. É o lugar do pôr do sol. Os barcos se reúnem, as pessoas ficam na água rasa. O sol se põe, o céu fica roxo, depois vermelho, depois preto. O final perfeito para o dia.
Cultura e Agito
Alter do Chão ganha vida à noite, principalmente às quintas, dia de Carimbó – a dança típica do Pará. Saias longas, giros, tambores que contagiam. Acontece no Espaço Alter do Chão. Vá assistir – melhor ainda, participe. A energia é única.
A gastronomia é ousada. Tem restaurante sofisticado e barraquinha de rua. Experimente o peixe local e o tacacá, sopa que adormece a boca. Sério: o jambu faz a língua formigar. Não tenha medo dos sabores. Se jogue.
Alter do Chão pede pelo menos seis dias. Não tenha pressa. As distâncias enganam, o calor desacelera. Deixe o rio ditar o ritmo. Negocie seus passeios, encontre um barqueiro de confiança. Depois, relaxe. A Amazônia cuida do resto.
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