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Epcot: Um Dia de Experiências e Sabores pelo Mundo
$150 - $300/dia 6 min de leitura

Epcot: Um Dia de Experiências e Sabores pelo Mundo

Descubra o Epcot: atrações futuristas, sabores do mundo e o calor do verão da Flórida. Um dia de magia, diversão e descobertas inesquecíveis.

O ar está carregado de umidade e cheiro de protetor solar, mas a empolgação é ainda mais intensa que o calor. Estou debaixo da cúpula prateada da Spaceship Earth, seus painéis refletindo o sol da manhã e projetando sombras geométricas nos rostos de famílias e amigos que entram pelos portões. Uma garotinha puxa a mão da mãe, olhos arregalados diante da esfera gigante. “Vamos entrar depois”, promete a mãe, e a criança já concorda, distraída pela mistura de vozes e pelo som distante do monorail.


Seguimos rápido, aproveitando o privilégio da entrada antecipada—meia hora antes da abertura oficial—sentindo-nos insiders. O parque ainda desperta, as multidões são pequenas, o ar ainda não está pesado com o calor do dia. Entramos no pavilhão The Land, uma pirâmide de vidro iluminada pela luz da manhã. Descemos a escada rolante, passando pelo aroma de pães frescos e café, até encontrar o Soarin’. Cinco minutos de espera—um milagre. O passeio é um voo suave, pés balançando, vento no rosto, os laranjais da Califórnia e as savanas da África se desenrolando abaixo. A mulher ao lado ri, apertando a mão do filho. “Cheira a laranja!”, ele grita, e realmente cheira, o aroma é liberado, misturando memória e fantasia.

Pavilhão The Land do Epcot iluminado pela manhã

Saímos piscando, adrenalina à flor da pele, e seguimos para o Test Track. A nova versão, recém-inaugurada, é cheia de linhas modernas e neon. O tempo de espera já marca 55 minutos, mas com o Lightning Lane—o sistema pago da Disney para furar fila—passamos direto. “Hoje vocês deram sorte”, sorri o atendente, escaneando nossas pulseiras. O passeio é um borrão de velocidade e vento simulado, o mundo lá fora reduzido a um traço de cor. “Foi incrível”, suspira minha amiga, cabelo ao vento, bochechas coradas. Concordo, coração ainda acelerado. Mesmo com espera, vale a pena.

Guardians of the Galaxy: Cosmic Rewind é a próxima, uma montanha-russa escura que gira e mergulha pelo espaço, música pulsando nos ouvidos. A fila é um sonho sci-fi, luzes azuis e artefatos alienígenas. “Você não é daqui”, brinca uma funcionária vestida de Nova Corps. “Não”, admito, “mas queria ser.” Ela pisca, e partimos, quatro por carrinho, mergulhando na escuridão, a trilha sonora—Earth, Wind & Fire, talvez—fazendo tudo parecer uma festa nas estrelas.


No fim da manhã, o sol já está alto e o parque pulsa de vida. Entramos no Journey of Water, Inspired by Moana, uma trilha interativa onde a água salta e dança ao toque. Crianças gritam enquanto fontes se arqueiam sobre suas cabeças, pais descansam na sombra, agradecidos pela brisa fresca. Do outro lado, The Seas with Nemo & Friends chama, mas pulamos—hoje queremos algo mais animado.

As MagicBands vibram ao passarmos por estátuas douradas, um aperto de mão secreto entre visitante e parque. “Parece que o parque está vivo”, diz uma adolescente, acenando e sorrindo quando a estátua do Pluto late em resposta.


O World Showcase é um passeio lento e ensolarado ao redor de uma lagoa brilhante. Onze países, cada um um universo de arquitetura, música e comida. Começamos pelo México, atraídos pela escuridão fresca da pirâmide. Lá dentro, é sempre crepúsculo: barracas vendendo caveiras pintadas, cheiro de tortilhas e limão, um passeio de barco entre mariachis animatrônicos. Pego um cartão postal numa mesinha, um ritual repetido em cada país—uma pequena lembrança tátil.

A Itália vem em seguida, o ar animado por acordeões e a promessa de pizza. “Quer queijo ou pepperoni?”, pergunta o atendente, sotaque de Orlando mas sorriso de Nápoles. Escolho pepperoni, massa crocante, queijo derretido, preço—nove dólares—um pequeno preço por um pedaço da Itália. Perto dali, um artista de rua faz malabarismo com bolas de futebol, a plateia aplaudindo. “Bravo!”, alguém grita, e o artista se curva, suor brilhando na testa.

Pavilhão da Itália no Epcot com pizzaria e artista de rua

A Alemanha é um conto de fadas de fachadas de madeira e doces de caramelo, o ar doce e denso. O portão da China se ergue vermelho e dourado contra o céu, as lojas frescas e sombreadas, cheias de leques de seda e guarda-chuvas de panda. Compro um leque de papel, a vendedora sorri ao passar a compra. “Hoje está muito quente”, digo, me abanando. Ela ri. “Todo dia no verão. Beba muita água.”

O Canadá é só jardins e cachoeiras, um canto verde e tranquilo. O Reino Unido é um emaranhado de cabines telefônicas vermelhas e pelúcias do Pooh, o ar com aroma de shortbread. A França é um redemoinho de acordeão e cheiro amanteigado de crepes. Ratatouille: The Adventure fica aqui, um passeio 3D que te encolhe ao tamanho de um rato, correndo por uma cozinha parisiense. A fila é longa, mas o Lightning Lane nos leva direto. “Single rider?”, pergunta o atendente. “Podem se separar.” Concordamos, agradecidos pelo atalho.


No fim da tarde, o calor é implacável, o céu escurecendo com ameaça de chuva. No Japão, trovões ecoam enquanto entro na Mitsukoshi, a loja de departamentos, o ar fresco e perfumado de incenso e chá verde. Fico admirando frascos de xampu, surpreso com os preços—dez vezes mais caros que em Tóquio. Lá fora, a chuva cai forte, a lagoa envolta em névoa.

A Noruega é uma fantasia viking, capacetes com chifres e cheiro de cinnamon rolls. O Frozen Ever After é um passeio de barco por cenários gelados, a música “Let It Go” ecoando na escuridão. Crianças cantam, pais sorriem, e por um momento, todos voltam a ser crianças.


A noite cai e a lagoa brilha com lanternas. A multidão se reúne para o Luminous: The Symphony of Us, o show de encerramento. Fogos explodem sobre a água, música crescendo, rostos voltados para o céu em admiração. O dia termina como começou: com encanto, risos e a sensação de que o mundo é vasto e pequeno ao mesmo tempo, e que por um dia, você pode segurá-lo nas mãos.

Lagoa do World Showcase no Epcot à noite com fogos

Caminho devagar para a saída, o ar mais fresco, as multidões dispersando. Os pés doem, a pele grudenta de suor e protetor, mas o coração leve. O Epcot é um lugar de jornadas impossíveis, pequenas alegrias e encantamento compartilhado. Penso nos cartões postais na bolsa, cada um uma janelinha para um mundo, e sei que um dia volto para buscar mais alguns.