Praias Selvagens do Espírito Santo: Guia Prático e Econômico
Descubra as praias isoladas do Espírito Santo: dunas gigantes, piscinas naturais e trechos quase desertos para quem busca natureza e economia.
Acha que já conhece as praias do Brasil? Repense. Esqueça Copacabana lotada e o trânsito de turistas no litoral sul. Se o objetivo é fugir do óbvio e encontrar trechos realmente selvagens, o Espírito Santo é o seu próximo destino.
Aqui, a vibe é outra: menos ostentação, mais autenticidade. O litoral capixaba é guardado a sete chaves pelos locais, e quem encara a estrada descobre praias vazias, dunas imensas, vilarejos engolidos pela areia e piscinas naturais escondidas.
Comece por Vitória. A Praia de Camburi é o ponto de partida urbano: café forte, surfistas no mar cedo, e logo a estrada chama. O real começa fora da cidade.

Pronto para se Perder?
Alugue um 4x4 básico. Pegue a rodovia litorânea e sinta o ar salgado batendo no rosto. Em minutos, o cenário urbano some e o horizonte azul toma conta. É roteiro para quem curte estrada, liberdade e custo-benefício.
Siga para o sul, rumo a Anchieta. A Praia de Areia Preta tem areia escura que esquenta rápido e faz qualquer chinelo parecer inútil. Procure uma mesa rústica dentro da lagoa rasa, peça uma bebida gelada e aproveite. Dica: evite feriados e fins de semana lotados. O melhor é pegar esse litoral só para você.
No caminho, repare nas placas de hashtag para fotos. Vale o registro, mas siga viagem: as melhores experiências ainda estão à frente.
A Vila Enterrada nas Dunas
Hora de virar ao norte e mirar em Itaúnas. Prepare-se: o visual impressiona. As dunas engoliram a vila original séculos atrás. Hoje, o local virou playground de aventureiros.
Deixe o carro e alugue uma bike ou caiaque para explorar trilhas de areia e manguezais. O calor e a umidade exigem disposição, mas a imersão compensa. Fique atento à fauna — com sorte, verá animais nativos cruzando o caminho.
Guias locais conhecem cada atalho e braço de rio. Siga com eles e sinta o silêncio do mangue, entre ruínas soterradas e história viva sob seus pés.
Quer desafio? Programe o despertador para 5h. Suba as dunas ainda no escuro e espere o sol nascer sobre o Atlântico. O esforço vale cada passo: o visual é inesquecível.
O Fim da Linha: Riacho Doce
Continue ao norte, 16 km além das dunas de Itaúnas, até Riacho Doce. O acesso é por estrada de terra — sacolejo garantido, mas é isso que afasta o turismo de massa. Aqui, você conquista a praia.
É a fronteira exata entre Espírito Santo e Bahia. Turistas? Quase zero. Só vento, areia virgem e paz total.

Caminhe pela praia deserta e sinta o isolamento. Ao norte, já começa a Costa Dourada e as águas quentes do Nordeste. Mergulhe e esqueça o resto: aqui, não há vendedores, nem barulho — só natureza bruta.
Guriri: Piscinas Naturais e Tradição
Próxima parada: Ilha de Guriri, em São Mateus. O clima muda: festas de moto, festivais de jazz e blues, mas o destaque é a água limpa e protegida.
Nada de esgoto. Desde 2012, projetos de conservação salvaram a restinga e mantêm o litoral saudável. A natureza está voltando com força.
Vá até a Praia do Bosque: sombra de árvores retorcidas, piscinas naturais que surgem na maré baixa e água morna. Ideal para relaxar sem gastar muito.

Passe por Barra Nova, converse com moradores, prove a cachaça local e ouça histórias de pescador.
História nas Ondas
Feche o roteiro em Guarapari. O nome vem do tupi-guarani: "lugar de descanso das aves pescadoras". E faz sentido — basta olhar.
A história indígena está presente nas pedras, nas praias e nas lendas. O mar forte esculpiu enseadas ao longo dos séculos. Leve snorkel: em dias calmos, a água é cristalina e cheia de peixes.
Procure cantos menos movimentados, fuja dos points tradicionais e encontre sua faixa de areia particular. Deixe a maré ditar o ritmo do dia.
Não Perca
- Subida ao nascer do sol nas dunas de Itaúnas (5h)
- Isolamento total em Riacho Doce, na divisa com a Bahia
- Bebida gelada na mesa dentro d’água em Anchieta
- Piscinas naturais secretas na Praia do Bosque
O Espírito Santo exige energia e recompensa quem se arrisca. Arrume a mochila, alugue o carro e descubra o litoral selvagem que não aparece nos cartões-postais. Pronto para se perder de verdade?
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