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Bombinhas: Praias e Natureza no Paraíso Catarinense
$60 - $120/dia 4 min de leitura

Bombinhas: Praias e Natureza no Paraíso Catarinense

Descubra Bombinhas: praias cristalinas, frutos do mar frescos e trilhas em meio à natureza. O refúgio perfeito para relaxar em Santa Catarina.

A areia ainda está fresca sob meus pés, o sol ainda não alto o bastante para dissipar a névoa da manhã. Um pescador de bermuda desbotada puxa sua rede, a malha brilhando com lampejos prateados—talvez manjubas, ou algo mais raro. Ele sorri quando pergunto, dentes brancos contrastando com a pele queimada de sol. “Hoje tem camarão também”, diz, mostrando um camarão ainda se debatendo. Hoje tem camarão também.

Pescador na praia de Bombinhas ao amanhecer, rede na mão, luz suave

O ar aqui é carregado de sal e do leve perfume das flores silvestres que se agarram às dunas. Bombinhas não grita sua beleza. Ela deixa você tropeçar nela, enseada por enseada. A água é incrivelmente transparente—tão clara que, mesmo da areia, vejo peixes escuros nadando entre as pedras. Crianças gritam de alegria ao perseguir pequenos caranguejos, suas risadas se misturando ao som baixo e ritmado das ondas.


Mais tarde, sigo uma trilha estreita que serpenteia pelo verde fechado. O chão é macio de agulhas de pinheiro, o ar mais fresco sob a copa das árvores. Em algum lugar acima, um tucano solta um chamado agudo, ecoando e me fazendo parar. Fico imóvel, coração acelerado, e vejo o bico amarelo da ave brilhando entre as folhas. A subida é suave, mas constante, e quando chego ao topo, a vista é um soco de azul e verde: 39 praias, cada uma com um tom diferente, cada uma prometendo algo novo. Algumas são largas e selvagens, com ondas que se curvam e quebram—surfistas boiando ao longe, esperando a próxima série. Outras são escondidas, de águas calmas e cristalinas, perfeitas para boiar ou colocar máscara e snorkel e ver o mundo subaquático se revelar.

Uma moradora, cabelos dourados de sol, senta-se numa pedra ao meu lado. “Você não é daqui, né?”, pergunta, sem hostilidade.

“Não”, admito, “mas queria ser.”

Ela ri, o som se espalhando pela baía. “Fica mais um pouco. Aqui, a gente aprende a ir devagar.”


O almoço é sempre à beira-mar. Os restaurantes avançam sobre a areia, cadeiras de plástico afundando no chão macio. O cardápio é um hino ao mar: peixe grelhado, arroz de polvo, camarão ao alho e óleo. Peço moqueca, o vapor subindo perfumado de coco e coentro. O garçom, vendo meu prato vazio, pisca. “Primeira vez em Bombinhas?”

Assinto, lambendo o resto do molho da colher. “Primeira de muitas, eu acho.”

Ele sorri. “Vai mergulhar depois? Tem tartaruga hoje.”

A ideia fica comigo enquanto caminho até a água, a areia agora quente e fina entre os dedos. Alugo máscara e nadadeiras numa barraca azul descascada. O dono, um homem magro de boné desbotado, me entrega o equipamento. “Vai ver muita vida lá embaixo. Só respeita o mar.”


Debaixo d’água, o mundo é silêncio, só interrompido pelo som da minha respiração. Raios de sol cortam o azul-turquesa, iluminando cardumes de peixes listrados de amarelo e o movimento lento de uma tartaruga pastando nas algas. A água é fresca, envolvendo como seda. Perco a noção do tempo, só subo quando os pulmões pedem ar. De volta à praia, tudo parece mais vivo—cores mais intensas, a brisa mais presente.

Mergulhadores explorando as águas cristalinas de Bombinhas, peixes visíveis


As noites em Bombinhas são lentas e douradas. O sol se esconde atrás dos morros, pintando o céu de laranja e rosa. Moradores se reúnem no calçadão, cerveja gelada na mão e histórias compartilhadas. Um violonista dedilha uma bossa nova suave, as notas flutuando pela areia. Sento com um pastel de camarão, massa crocante e quente, recheio doce de camarão fresco. O ar cheira a sal, óleo quente, risadas e música se misturando na noite.

Um menino corre, perseguindo uma pipa que dança na brisa do mar. A mãe chama, voz calma e carinhosa. “Devagar, menino! O mar não vai fugir.”


Bombinhas está a apenas 70 quilômetros de Florianópolis—uma viagem rápida, mas parece outro mundo. Há uma pequena taxa para entrar, um valor de preservação que mantém as praias limpas e a natureza intocada. Quarenta reais, diz a placa, e pago com prazer, sabendo que compro mais do que acesso. Compro o silêncio da mata, o brilho do mar, o ritmo lento que entra nos ossos, se você deixar.

Fim de tarde dourado na praia de Bombinhas, famílias passeando, céu rosado

Penso na mulher da pedra, no convite para ficar mais. A verdade é que Bombinhas não é um lugar para visitar. É um lugar para voltar, sempre, cada vez descobrindo algo novo—uma enseada escondida, um novo amigo, um coração mais tranquilo. O mar brilha, o ar tem gosto de sal e camarão, e o tempo, por fim, está ao seu lado.