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Cruzeiro pela Costa do Brasil: Viva o MSC Preziosa
$120 - $250/dia 4-8 dias nov., dez., jan., fev., mar. (Verão (nov–mar)) 6 min de leitura

Cruzeiro pela Costa do Brasil: Viva o MSC Preziosa

Embarque no MSC Preziosa e descubra Salvador, Ilhéus e Búzios com luxo, sabores locais e muita festa à beira-mar.

A primeira coisa que se nota é o silêncio de expectativa, quebrado apenas pelo zumbido das rodinhas das malas e o chamado distante das gaivotas. O porto de Santos é um mosaico de famílias, casais e viajantes solitários, todos segurando documentos e sonhos. Minha mala está mais leve que minhas expectativas, mas ao pisar na passarela do MSC Preziosa, o ar muda—mais salgado, carregado de possibilidades. Os corrimãos polidos do navio brilham ao sol da manhã e, em algum lugar acima, um sino toca. Não sei se é um sinal ou um convite, mas parece ser ambos.


Por dentro, o mundo é feito de mármore e vidro, uma cidade flutuante com vida própria. A cabine é compacta, mas inteligente: um armário com colete salva-vidas escondido atrás dos cabides, um cofre para a carteira que só vou usar em terra, um banheiro com barras para segurar os frascos quando o mar se agita. Passo a mão pela cortina blackout, grossa e fresca, e imagino o silêncio do quarto à meia-noite, o balanço suave do navio. O camareiro deixa uma toalha cor de mamão maduro para a piscina—laranja, inconfundível, uma pequena promessa de sol.

O café da manhã é uma festa silenciosa de opções. O buffet, chamado La Vantaggio, é uma constelação de estações: pães ainda quentes, frutas brilhando de orvalho, queijos e frios, doces polvilhados de açúcar. O café é ralo, mais americano que brasileiro, mas o cappuccino é um conforto, cremoso e quente. Encontro uma mesa junto à janela, o mar uma tela viva de azul e prata. Ao redor, português e espanhol se misturam às risadas. Uma mulher na mesa ao lado se inclina, voz baixa e cúmplice. “Você não é daqui, né?”

“Não,” respondo, “mas queria ser.”

Ela sorri, empurrando um prato de pão de queijo na minha direção. “Então coma como se fosse.”


Os dias se desenrolam num ritmo de sol e espetáculo. Seis piscinas brilham sob o céu aberto, a água levemente salgada, lembrando que o oceano está sempre perto. De manhã cedo, os decks estão tranquilos—só o som das sandálias e o mergulho de um nadador solitário. Ao meio-dia, o ar se enche de protetor solar e gargalhadas, crianças correndo entre espreguiçadeiras, o DJ tocando samba e pop. O toboágua Vertigo serpenteia acima de tudo, um tubo transparente que avança sobre o mar. Vejo um grupo de amigos esperando a luz verde, seus gritos ecoando enquanto mergulham no desconhecido.

Fachadas coloridas do Pelourinho no centro histórico de Salvador

À noite, o navio se transforma. A piscina principal brilha sob fios de luzes, o ar perfumado de carne grelhada e doces caipirinhas. Tem noite de gala—homens de camisa social, mulheres em vestidos que captam a luz. O teatro lota para Animale, um espetáculo de plumas e acrobacias, aplausos estrondosos. Depois, a White Party toma conta do deck, todos balançando em um mar de linho e risadas. Perco a noção do tempo, do idioma, de onde termina o navio e começa a noite.


Salvador nos recebe com uma explosão de cores. A cidade baixa é um emaranhado de ruas, o ar denso de incenso e o batuque distante dos tambores. Na Igreja do Bonfim, fitas coloridas tremulam nos portões—azul, rosa, verde—cada uma um pedido, uma oração. A guia explica o ritual: três nós, três desejos e a promessa de voltar se eles se realizarem. Amarro minha fita, dedos pegajosos de umidade, e sussurro um desejo que não digo em voz alta.

O Pelourinho é uma pintura viva. Fachadas em tons pastel, igrejas barrocas, o eco do clipe de Michael Jackson na praça. A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos se impõe, sua história pesada no ar. Por dentro, folhas de ouro brilham na penumbra, e o cheiro de madeira antiga e cera de vela permanece. Do lado de fora, um grupo de capoeira gira e chuta, movimentos precisos e fluidos. A guia, voz aveludada, cruza meu olhar. “Isso é Salvador”, diz ela. “Tudo isso. A dor, a beleza, a música.”


Ilhéus é verde e dourada, o ar doce com promessa de chocolate. Na Fazenda Irerê, a trilha serpenteia entre cacaueiros, os frutos pendendo pesados e vermelhos. O fazendeiro abre um deles, revelando polpa clara e viscosa. “Não morde a semente”, avisa, “só prova a fruta.” É ácida, quase floral, nada parecida com o chocolate que vai virar. Caminhamos pela trilha, sapatos afundando na terra fofa, o cheiro de grãos fermentando subindo das caixas de madeira. Depois, à sombra, provamos o produto final—escuro, intenso, levemente amargo. A história da Bahia, em um quadradinho.


Búzios é pura luz e curvas, o sol refletindo na areia branca e na água turquesa. O traslado do navio à terra é uma dança rápida num bote laranja, o mar calmo, a brisa morna. A Praia da Ferradura é um semicírculo de tranquilidade, a água mansa para crianças, os beach clubs animados com música e o tilintar de copos. Entro na água, a areia fria e fina, o sal marcando os lábios. A guia aponta os melhores lugares para fotos, a voz se perdendo no vento. “Aqui você vê a cor real do Brasil.”

Casas coloridas e ruas de pedra no Pelourinho

De volta ao navio, a última noite é um turbilhão de música e despedidas. Os garçons cantam e dançam, o teatro explode em aplausos e, de repente, surge um bolo de aniversário, velas tremulando no ar-condicionado. Faço a mala, coloco a etiqueta para coleta e saio na varanda uma última vez. O mar é negro e infinito, as estrelas afiadas como vidro. Respiro o sal, a lembrança das risadas, a promessa de voltar.


Um cruzeiro, percebo, não é só uma viagem entre portos. São mil pequenos momentos: o sabor do cacau fresco, o silêncio de uma igreja histórica, o choque da água fria na pele aquecida de sol. São os desconhecidos que viram amigos, os rituais que você adota, as histórias que leva para casa. Enquanto o navio desliza rumo ao amanhecer, fecho os olhos e deixo o ritmo das ondas escrever o resto.

Luz do entardecer sobre os telhados do Pelourinho