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Formentera de Scooter: Praias, Estilo e Manhãs Tranquilas
$180 - $400/dia 6 min de leitura

Formentera de Scooter: Praias, Estilo e Manhãs Tranquilas

Descubra Formentera de scooter: praias paradisíacas, vilarejos charmosos e manhãs preguiçosas. Viva o melhor do verão mediterrâneo.

O motor ronrona sob mim, um zumbido baixo e animado enquanto serpenteamos pelas ruas estreitas de Es Pujols. O ar é denso de sal e protetor solar, e o aroma de peixe grelhado vem de um bar à beira-mar. Nuno sorri, as mãos firmes no guidão da scooter, e eu me inclino na curva, vestido laranja-neon esvoaçando como uma bandeira. O Mediterrâneo brilha turquesa entre prédios caiados. Formentera já parece um segredo que você quer guardar só para si.

Águas turquesa e praia de areia branca em Formentera, Espanha

Estacionamos ao lado de uma fileira de boutiques, toldos listrados e desbotados pelo sol. Lá dentro, o ar é fresco e carregado do cheiro de palha trançada e algodão novo. Uma vendedora de cabelos dourados pelo sol aponta para uma arara de shorts. “135 euros”, diz ela, sorrindo ao ver minha sobrancelha arqueada. Passo os dedos por uma bolsa—palha clara, leve como pluma, o tipo de coisa que só faz sentido aqui. “Se quer algo realmente de Formentera, é aqui”, garante, a voz suave como os vestidos de linho expostos. Concordo, já imaginando a bolsa no ombro, areia grudada na trama.


O hotel é novo, todo em madeira clara e pedra bruta, com uma vista que vai da varanda direto para o mar. Tiro as sandálias e deixo os pés afundarem no piso frio. O quarto tem um leve cheiro de sal e algo floral—talvez o alecrim selvagem que cresce no caminho para a praia. O banheiro é espaçoso, o chuveiro grande o suficiente para lavar um dia inteiro de areia. Na varanda, a brisa traz risadas distantes e o tilintar de copos do bar abaixo. Eu poderia ficar aqui para sempre, penso, vendo o sol descer sobre a água.

Uma caminhada rápida—dois minutos, talvez menos—por uma trilha de areia, e a praia se abre à nossa frente. A areia é macia, quase branca, e a água incrivelmente cristalina. Entro devagar, o frio mordendo os tornozelos antes de dar lugar a um calor suave. Nuno ri: “Tá gelada, né?”

“Só no começo”, respondo, e ele já está com água na cintura.


Mais tarde, seguimos para La Mola, a estrada reta ladeada de flores silvestres. O vilarejo é uma rua só, iluminada por luzinhas e cheia de conversas. Na Casa Colibrí, a dona—chama-se C.—mostra sua coleção de tecidos naturais. “Tudo feito aqui”, diz, passando a mão por um cambraia fina. “Noventa e cinco euros esse. Está em promoção.” Toco o tecido, fresco e macio, e imagino ele esvoaçando na brisa da ilha.

Paramos para um copo de branco de Formentera, fresco e vibrante, num bar minúsculo cujo nome esqueço assim que saímos. O vinho tem gosto de sol e pedra, e o mundo parece lento e generoso.


Em Sant Francesc Xavier, o verdadeiro coração da ilha, as ruas são estreitas e sombreadas, cheias de boutiques e gelaterias. Miguel, nosso amigo, nos guia pelo labirinto. “Esse é o melhor sorvete”, garante, me entregando um cone de uma lojinha menor que uma porta. A primeira mordida é gelada e doce, derretendo na língua. Ao redor, a noite chega, o ar esfria, o céu fica lilás.

Passamos por lojas de luxo—Dior, Celine, nomes que parecem deslocados nesse vilarejo tranquilo. Mas Formentera é cheia de surpresas. No Can Carlos, restaurante escondido num bosque, jantamos sob um teto de luzes e folhas. As mesas estão quase vazias; são só nove horas, cedo para os padrões espanhóis. Kiara, nossa garçonete, recomenda o polvo. “Confia”, diz ela, “e se não gostar, eu como.”

A comida é simples, perfeita. O vinho, gelado. A noite, suave e infinita.


Rua de vilarejo caiado com boutiques e flores em Formentera

A manhã chega devagar no Geko Hotel. Acordo com o canto dos pássaros e o vento no jardim. O quarto é claro, espelhos captando a luz do início do dia, e lá fora, a grama é fresca sob meus pés. Tem uma bolsa do hotel esperando na porta—trançada, resistente, perfeita para a praia. Encho com toalha, livro, um punhado de uvas crocantes.

O café da manhã é pão fresco e café forte, o gosto de manteiga e sal ficando nos lábios. Nuno já está na beira d’água, pés na espuma, me chamando. O beach club do hotel é aberto a todos, não só hóspedes, e a piscina brilha ao sol da manhã. Entro na água, o mundo fica quieto e azul.


No porto de La Savina, balsas vão e vêm, buzinas ecoando pela baía. As lojas aqui são mais movimentadas, o ar carregado de protetor solar e espresso. É onde chegam os visitantes de Ibiza, óculos de sol na cabeça, prontos para garantir um pedaço de areia. A travessia leva só trinta minutos, mas Formentera parece outro mundo.

Achamos um lugar no Beso Beach, o clube mais disputado da ilha. Está lotado, música alta, garçons cruzando entre espreguiçadeiras com bandejas de drinks. “Precisa de reserva”, avisa a hostess, simpática mas firme. Ficamos numa faixa de areia mais tranquila ali perto, água fresca e clara, sol aquecendo as costas.

O almoço é paella num restaurante à beira-mar, arroz dourado com carabineros. O visual é azul sem fim, som de ondas e risadas. “É impossível não se apaixonar por esse lugar”, digo, e Nuno só concorda, boca cheia, olhos no horizonte.

Terraço de restaurante à beira-mar com paella e vista do mar em Formentera


As noites são para caminhadas lentas e jantares longos. O sol se põe tarde, pintando o céu de rosa e dourado. No Can Carlitos, comemos peixe fresco e vemos a luz sumir no mar. O ar é fresco, o vinho é bom, tudo parece possível.

“Por que todos os lugares aqui começam com ‘Can’?”, pergunto, girando o resto do vinho.

“Significa ‘casa de’”, explica Nuno. “Can Carlos, Can Vicente. É tradição.”

Imagino uma casinha à beira-mar, jardim de alecrim, manhãs ouvindo os pássaros. Por um instante, acredito que poderia ficar.

A noite é silenciosa, a ilha respira devagar. Adormeço com a janela aberta, ouvindo o mar nos sonhos. Formentera fica, suave e dourada, muito depois de eu partir.