Onde Ficar em Gramado: Casa da Montanha, Petit e Wood
Descubra as melhores hospedagens em Gramado: o clássico Casa da Montanha, o pet friendly Petit e o moderno Hotel Wood. Encontre seu refúgio ideal.
Índice
- Chegada ao Chalé Alpino
- Gastronomia no La Caceria
- Rituais da Manhã
- O Chalé Pet Friendly
- Design Moderno e Slow Food
- Reflexões sobre Hospitalidade
O carrossel gira, um borrão de dourado e vermelho contra o céu cinza. É a primeira coisa que se vê ao se aproximar da entrada do Hotel Casa da Montanha, e o som da música do órgão mecânico se espalha pela Avenida Borges de Medeiros. O ar aqui tem cheiro de pinho e terra úmida, um contraste marcante com a umidade tropical que deixei para trás no norte. Pessoas passam enroladas em casacos de lã, com a respiração visível no ar gelado. Parado ali, vendo as luzes refletirem na madeira polida da fachada do hotel, a ilusão se completa. Isso não é o Brasil que o mundo conhece; é um sonho cinematográfico dos Alpes transplantado para a Serra Gaúcha.
Empurro as portas pesadas e o frio desaparece. O lobby exala aromas de canela e chá de especiarias. É um abraço sensorial—painéis de madeira escura, tecidos xadrez e o murmúrio baixo dos hóspedes conversando em tom relaxado. Vou ao lavabo para lavar as mãos da viagem e paro. Não há dispensers de papel aqui. Em vez disso, um cesto de vime repousa sobre a pia, cheio de pequenas toalhas de tecido macias. Uso uma e a deixo no cesto. É um detalhe pequeno, quase irrelevante em um folheto, mas diz muito. Diz: Você não está de passagem. Você chegou.
"A Suíte da Montanha está pronta", informa a recepcionista alguns minutos depois. Ela me entrega uma chave pesada de metal, não um cartão plástico.
Meu quarto parece menos uma acomodação de hotel e mais o chalé de inverno de um amigo abastado. Há uma sala de estar com lareira elétrica que projeta um brilho convincente, e um quarto separado onde a cama parece grande o suficiente para se perder. Percebo uma porta de ligação e entendo que essas suítes podem se conectar, formando apartamentos amplos para famílias ou grupos. Tudo convida a manhãs preguiçosas e noites longas, um lugar onde a neblina passando pela janela é o único entretenimento necessário.
O sol já se foi quando sigo para o La Caceria, o restaurante do hotel. O ambiente é à meia-luz, decorado com motivos de caça que conseguem transmitir nobreza, não agressividade. Vim para provar as carnes de caça, especialmente o "Prato da Boa Lembrança". É uma tradição curiosa: ao pedir o prato principal da casa, você leva para casa um prato de cerâmica pintado à mão como lembrança.
"Vai experimentar o pato", afirma o garçom. Não é uma pergunta.
"Ouvi dizer que vem com chocolate", hesito. "Não sei se gosto de carne doce."
Ele sorri, um olhar de quem sabe o segredo. "Não é doce. É... complexo."
Quando o prato chega—magret de pato com redução de chocolate sobre polenta—o aroma é terroso, quase defumado. Dou a primeira garfada. Ele tinha razão. O chocolate traz uma profundidade que o vinho sozinho não alcançaria, equilibrando a riqueza da carne. É deliciosamente confuso. Finalizo com uma torta de 70% cacau e Bourbon. Quando saio, segurando meu prato de cerâmica como um troféu, o vento frio lá fora parece revigorante, não cortante.
Manhãs em Gramado não devem ser apressadas. Felizmente, o café da manhã no La Caceria vai até o meio-dia, uma política civilizada que reconhece o poder de sedução de um edredom quentinho. Chego às 10h, e o salão já está animado. Rolhas estalam—espumante faz parte do ritual matinal aqui. Passo por pães artesanais e queijos locais, mas minha atenção se prende a uma exposição de garrafas de vidro perto da entrada.
"A Cápsula do Tempo", explica um funcionário ao notar meu interesse. "As crianças escrevem seus sonhos num papel. Selamos nas garrafas. Quando voltam depois dos 25 anos, devolvemos a elas."
Observo um menino, talvez de sete anos, na ponta dos pés para colocar um bilhete enrolado dentro de uma garrafa. Os pais assistem, e a mãe enxuga uma lágrima discreta. Percebo então que este lugar não vende apenas uma cama para a noite; fabrica nostalgia. Entre a piscina aquecida, o carrossel e essas garrafas, garantem que, para essas crianças, Gramado sempre signifique lar.
Para clarear a mente, pego uma das bicicletas do hotel. O trajeto é curto, os pneus vibrando nas pedras enquanto pedalo até o Petit Casa da Montanha. Se o hotel principal é o casarão, aqui é o chalé excêntrico e adorável da rua ao lado. Fica ao lado da famosa Rua Coberta, no coração do movimento, mas parece escondido.
"Somos os que amam cachorros", diz o concierge quando estaciono a bike.
Ele não exagera. O lobby lembra uma pousada sofisticada, íntima e acolhedora, mas os detalhes fazem a diferença. Carrinhos de passeio para cães ficam perto da porta. Uma "Parede da Fama" exibe fotos de antigos hóspedes de quatro patas—Golden Retrievers, Poodles, até um gato sério. É o lugar para quem não consegue viajar sem seu companheiro. O clima é mais solto, menos formal, como visitar aquela tia que sempre tem café passado e um biscoito para o seu cachorro.
A cem metros dali, o clima muda totalmente. Entro no Hotel Wood e me sinto saindo de um livro de história para uma revista de arquitetura. Os troncos de pinho e o xadrez desaparecem, dando lugar a linhas modernas, madeira sustentável e arte contemporânea. É o primo cosmopolita do grupo.
Sento no lounge, que é bar e galeria ao mesmo tempo. O café da manhã aqui segue a filosofia "slow food", sob curadoria do Chef Rodrigo Bellora. Não há buffet enorme; tudo é feito na hora, com ingredientes de produtores locais.
Peço o beiju—crepe de mandioca no vapor da folha de bananeira—e uma fatia de cuca, o tradicional bolo alemão-brasileiro.
"A folha de bananeira mantém a umidade", explica a atendente ao servir.
Provo. É simples, primitivo e incrivelmente sofisticado. "Tem gosto de terra", comento.
Ela sorri. "É essa a ideia."
O Hotel Wood é para quem aprecia a serra sem precisar do clichê. Para quem quer tomar um cappuccino perfeito lendo uma revista de design, e busca o sabor local sem folclore.
Minha viagem termina onde começou, na calçada do Casa da Montanha. São 20h e o show de luzes "Tempo Inesquecível" está começando. O carrossel se ilumina, sincronizado com a música das caixas de som escondidas. Turistas param para assistir, os rostos coloridos pelas luzes.
Gramado é muitas vezes acusado de ser artificial, uma versão europeia à la Disney. E talvez, na superfície, seja mesmo. Mas ao ver as luzes refletidas nos olhos das crianças, lembrar o sabor do molho de chocolate amargo e o calor da toalhinha de tecido, percebo que a hospitalidade aqui é real. Seja o luxo da Casa, o aconchego do Petit ou o estilo do Wood, a sensação é a mesma. Você não é apenas um cliente. É um hóspede, no sentido mais verdadeiro da palavra.
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