Gramado para Crianças: Hotel Mundo Criamigos e Diversão
Descubra o Hotel Mundo Criamigos em Gramado: quartos temáticos, café da manhã lúdico e experiências inesquecíveis para famílias com crianças.
O balcão de check-in é uma explosão de cores e risadas. Lully, de olhos arregalados e segurando um suco de uva em taça de plástico, se estica para assinar o nome em letras grandes e incertas. A equipe entrega a ela uma pulseira colorida, e ela sorri como se tivesse acabado de receber as chaves de um reino. Observo, o coração transbordando, enquanto ela desenha um coração no cartão de check-in — aqui, até as formalidades são brincadeira.
O ar tem um leve cheiro de baunilha e tinta fresca, uma sensação de novidade que está em cada canto. O hotel tem apenas algumas semanas de vida, e isso se nota: tudo brilha, do piso polido aos murais vibrantes que enfeitam os corredores. Seguimos Lully por um corredor pontuado por portas em miniatura — do tamanho dela, feitas só para as crianças. Ela abre uma com um triunfante “Tã!” e entramos em um quarto que parece saído de um livro de histórias.

Nosso quarto é a suíte Turma Cria Amigos, um caleidoscópio de cores e fantasia. Há uma cama de casal para nós e duas camas menores para Lully — ela decreta que vai dormir em ambas, uma para cada noite, como se o tempo ali se dobrasse à sua vontade. O banheiro tem duas pias: uma na altura dos adultos, outra na altura da Lully, com um roupão minúsculo e um sabonete em forma de ursinho. Ela passa a mão no tecido macio, rindo. “Esse é só meu!”
Uma batida na porta anuncia o início do ritual da tarde: a hora do pudim. No térreo, em frente ao restaurante e ao clubinho, um funcionário de avental colorido lidera um coral de crianças em uma animada cantoria. Pedro Pudim, o mascote de pelúcia, dança e distribui potinhos de pudim de leite condensado com calda de caramelo. O aroma de caramelo se mistura ao cheiro forte de café expresso vindo do bar. Lully devora o pudim, bochechas meladas, olhos brilhando. “Muito cremoso”, ela diz, e eu concordo — o pudim é incrivelmente macio, um pequeno milagre em um copinho de plástico.
O coração do hotel é o Duomo, um átrio imenso repleto de mais de três mil ursos de pelúcia. Seus olhinhos de botão vigiam o saguão, testemunhas silenciosas da alegria e do caos lá embaixo. A recepção é um vai e vem de famílias, carrinhos e malas, mas a equipe se move com calma, sempre se abaixando para cumprimentar primeiro os pequenos hóspedes.
Passamos pelo clubinho, onde monitores comandam brincadeiras e oficinas do início ao fim do dia. Lully some em um mar de blocos de espuma e gargalhadas. Fico perto do restaurante, espiando o cardápio — há buffet infantil, com clássicos: batata frita, arroz, feijão, massa, mini hambúrgueres. Para adultos, opções à la carte: carnes grelhadas, saladas, um expresso surpreendentemente bom. O restaurante e o bar são abertos ao público, não só para hóspedes, e o ambiente vibra com conversas e tilintar de copos.
Lá fora, a piscina infantil brilha ao sol da tarde. O ar é denso de cloro e protetor solar. Lully, ainda se recuperando de uma infecção de ouvido, observa com vontade as outras crianças brincando na água. “Na próxima vez”, prometo, e ela já planeja o retorno.
Visitamos outros quartos — cada um é um universo à parte. A suíte Fernandino é o sonho de qualquer menino, com cama elástica e mezanino para brincar. O quarto Uni Brilho é palaciano, com escorregador que termina em um ninho de almofadas e banheira digna de um reino de bolhas. Todos acomodam até quatro pessoas e são um festival de cores e criatividade. “Qual é o seu favorito?”, pergunto a uma camareira enquanto ela ajeita o edredom.
Ela sorri. “O Uni Brilho. As crianças nunca querem ir embora.”
Não resistimos e fazemos um upgrade por uma noite. O rosto da Lully ao ver o escorregador é puro encantamento. “Posso dormir aqui para sempre?”, ela pergunta, e por um instante, eu queria que pudesse.
O café da manhã é uma festa. Três ilhas de comida: uma de bebidas — sucos naturais, leite com chocolate, iogurte em potinhos de vidro. Outra de doces: bolos em forma de urso, gelatinas coloridas, pãezinhos polvilhados de açúcar. A terceira é a fazendinha, com salada de frutas e pão de queijo. Lully corre de mesa em mesa, o prato um mosaico de cores. O café é forte, o ar preenchido pelo barulho de talheres e o falatório animado das crianças.
Depois do café, seguimos para a loja Cria Amigos, anexa ao hotel. Aqui, a mágica é prática: as crianças escolhem um urso (ou unicórnio, ou Hello Kitty), gravam uma mensagem para a caixinha de voz e ajudam a rechear o bichinho. Lully escolhe a Pandoca, um urso de laço rosa. Ela pisa no pedal para encher, coração acelerado, e depois coloca um mini coração de feltro dentro. “Para o amor e para a família”, sussurra, olhos fechados. O urso é costurado, vestido com roupa de babados e recebe uma certidão de nascimento. O processo todo custa cerca de R$140, dependendo dos acessórios — um pequeno preço por uma lembrança que vai durar muito além da viagem.

Ao lado, a Oficina da Diversão ocupa 8 mil metros quadrados — um parque dos sonhos com escorregadores, paredes de escalada, pintura neon no rosto e montanha-russa movida a pedal. Tiramos os sapatos, colocamos meias temáticas (as minhas são da Pandoca, as da Lully do Uni Brilho) e corremos de uma atração para outra. O cheiro de pipoca e crepe está no ar, junto com o som das risadas ecoando nas paredes acolchoadas. Aqui, os pais são convidados a brincar, redescobrir o prazer do faz de conta e do movimento.
Uma funcionária, cabelo preso com bandana colorida, acena para nós. “Vocês não são de Gramado, né?”, pergunta, sorrindo.
“Não”, respondo, sem fôlego da montanha-russa. “Mas queria ser.”
Ela ri. “Então tem que voltar. Aqui, todo mundo vira criança de novo.”
Na última manhã, Lully segura o novo urso e uma receita do pudim da tia Mel, presente de despedida do hotel. O ar está fresco, o céu azul aquarelado. No check-out, a equipe entrega um kit: garrafinha de água, docinho, raspadinha para brincar na estrada. “Para a viagem de volta”, dizem, e sinto uma gratidão enorme pelo carinho.
Os dias aqui foram um turbilhão de cores e risadas, de mãos pequenas nas minhas e a doce nostalgia de reviver a infância, nem que seja só por um fim de semana. Ao sair para o ar gelado de Gramado, Lully acena para os ursos do Duomo, o novo amigo debaixo do braço. Sei que voltaremos. Tem lugares que a gente nunca vai embora de verdade.

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