Ilha Norte da Nova Zelândia: Vulcões e Praias Incríveis
Descubra a Ilha Norte da Nova Zelândia: Auckland vulcânica, Cathedral Cove, Hobbiton e as piscinas termais de Rotorua num roteiro prático e inesquecível.
Índice
- O Pulso Vulcânico de Auckland
- Halloween na K Road
- A Magia de Cathedral Cove
- Explorando o Shire
- As Maravilhas Geotermais de Rotorua
- Pôr do Sol no Mount Eden
O cheiro de massa queimada e mussarela derretida invade as ladeiras íngremes de Ponsonby, misturando-se à brisa salgada que vem do porto. Estou sentado na Farina, uma pizzaria napolitana barulhenta em Auckland onde o chef grita pedidos com sotaque italiano e a crosta da pizza quebra perfeitamente entre os dentes. Não é o começo mais óbvio para um roteiro pela Ilha Norte da Nova Zelândia, mas essa cidade, construída sobre dezenas de vulcões adormecidos, vive do inesperado. Lá fora, o sol do meio-dia esquenta o concreto. Termino o almoço, com o sabor intenso de alho e tomate ainda na boca, e sigo em direção à marina. Ali, uma piscina pública de água salgada fica na beira do oceano, onde moradores relaxam com a Sky Tower ao fundo. A água surpreende pelo calor enquanto passo os dedos na borda, vendo o reflexo da cidade ondular conforme a maré.

O grave da música vibra pelo chão do bar lotado na Karangahape Road, subindo pelas solas dos meus sapatos. É noite de Halloween, e a famosa K Road virou uma parada caótica e brilhante de fantasias, bruxas e personagens pop. Pintei o rosto de verde para combinar com a fantasia de Glinda da minha amiga, entrando de cabeça no clima teatral da cidade. O ar mistura cheiro de cerveja derramada, vapor doce e tinta metálica de maquiagem. Pulamos de um bar iluminado a neon para outro, embalados pela energia acolhedora de uma comunidade que leva a sério a arte do disfarce. É uma explosão de alegria e humanidade, bem diferente das paisagens silenciosas e antigas que nos esperam fora da cidade.
A estrada rumo à Península de Coromandel na manhã seguinte é um ziguezague de curvas e florestas densas. Ao chegar à cidade costeira perto de Cathedral Cove, percebo que os estacionamentos próximos à trilha já estão fechados — sinal claro da alta temporada chegando.
“Você está atrasado para o verão, adiantado para o inverno”, brinca o motorista do transfer, com as mãos relaxadas no volante enquanto esperamos no centro da cidade.
“Tomara que seja o ponto certo para uma praia vazia”, respondo, entregando meu bilhete de oito dólares — um custo baixo para evitar a caminhada de uma hora e meia.
Ele ri, um som grave que se mistura ao motor. “Só fique de olho na maré, ela sobe rápido pelo arco. Última volta é às cinco e cinquenta e cinco, não perca.”
Em dez minutos, o transfer me deixa na trilha. O cheiro de samambaia e terra úmida invade os pulmões. O caminho pavimentado sobe e desce por meia hora, com vislumbres de água turquesa entre as árvores. Então, as árvores se abrem: o arco gigante de calcário de Cathedral Cove emoldura as ondas como um portal para outro mundo. Dá para entender por que essa praia virou cenário de Nárnia no cinema. A pedra fria e úmida da caverna é lisa sob as mãos. Fico ali, na sombra do arco, vendo o sol da tarde dourar a areia e ouvindo o eco ritmado da maré entrando na gruta. Parece menos uma atração turística e mais um segredo que a natureza resolveu revelar.
O solo cede suavemente sob as botas enquanto caminho pelas colinas verdes de Waikato. O cenário é tão verde que chega a doer nos olhos. Paguei cento e vinte dólares para entrar em um mundo que tecnicamente não existe, junto com outros quarenta visitantes, para explorar os caminhos detalhados de Hobbiton. O ar tem cheiro de flores, grama molhada e fumaça de lenha. Passamos por quarenta e quatro tocas de hobbit, cada uma com caixas de correio pintadas, pilhas de lenha e ferramentas minúsculas de jardim.

O passeio é um pouco corrido — o guia mantém o ritmo — mas a escala do cenário é impressionante. Entro por uma porta redonda de madeira, roçando os ombros no batente curvo, e admiro os detalhes de uma casa fictícia trazida à vida. O tour de duas horas e meia termina no Green Dragon Inn, onde uma caneca gelada de ginger beer adoça a garganta e ajuda a refrescar o calor da tarde.
O cheiro de enxofre chega antes da fumaça. É um aroma forte, de fósforo queimado e terra fervendo, que envolve o carro quando chego a Rotorua na manhã seguinte. Depois de uma noite na cidade geotérmica, pago quarenta e sete dólares para entrar no Wai-O-Tapu Thermal Wonderland, onde a crosta terrestre parece perigosamente fina.

Caminho pelas passarelas de madeira, sentindo o calor subir pelos sapatos. A Champagne Pool se estende à frente, um caldeirão borbulhante a setenta e quatro graus Celsius. As bordas são de um laranja intenso, que dá lugar ao verde tóxico no centro. Nuvens de vapor branco escondem o sol e deixam a pele úmida. Caminho por mais de uma hora pelas três trilhas sinalizadas, passando por lagos verdes que parecem pintados com tinta fluorescente. A energia bruta e violenta do lugar contrasta com a magia tranquila do Shire cinematográfico do dia anterior.
De volta a Auckland, o ar da noite esfria rápido sobre a pele úmida. Subo os caminhos gramados do Mount Eden para ver o pôr do sol da borda da cratera vulcânica. A cidade se espalha abaixo, um emaranhado de luzes que acordam com o anoitecer. Mas o topo está interditado — medida de segurança para evitar fogos de artifício durante a semana de Guy Fawkes.
A frustração passa logo. Acho um canto tranquilo um pouco mais abaixo, com vista para a Harbor Bridge, e pego um estojo de aquarela comprado mais cedo. O pincel molhado mistura laranja e roxo para retratar o céu sobre a água. Depois, descendo a Queen Street para uma última volta, paro numa sorveteria movimentada para um gelato de mel e avelã. Quase dez dólares, mas o sabor rico e cremoso compensa cada centavo. A Nova Zelândia é feita de contrastes extremos — de piscinas termais ferventes a praias tranquilas — e, enquanto a cidade vibra sob o céu noturno, já sinto vontade de voltar.
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