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Ilha de Santo Aleixo: Paraíso e Tranquilidade em Pernambuco
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Ilha de Santo Aleixo: Paraíso e Tranquilidade em Pernambuco

Descubra a Ilha de Santo Aleixo: mar cristalino, piscinas naturais e clima relaxante perto de Porto de Galinhas. Um refúgio inesquecível no litoral.

O barco salta e estremece, respingos de sal ardem no rosto, risadas se misturam ao ronco do motor. O céu é de um azul intenso, daquele que faz a gente apertar os olhos, e o mar entre Sirinhaém e a Ilha de Santo Aleixo está agitado nesta manhã. Seguro minha bolsa—embrulhada em plástico, como os locais recomendaram—e olho ao redor: alguns se preparam para o próximo solavanco, outros já sorriem, cabelos molhados. “Se quiser emoção, sente na frente”, avisou o barqueiro, piscando. “Mas vai se molhar de qualquer jeito.”

Desembarcamos com um leve arrastar na areia, sem píer, só a água fresca girando em torno dos tornozelos. O ar é carregado de cheiro de sal e óleo de coco, e o sol aperta, sem piedade. Uma mulher de chapéu largo me entrega uma pulseira colorida, o horário de retorno rabiscado à caneta. “Não perca”, avisa, sorrindo. “Ou vai dormir com os caranguejos.”


A primeira coisa que se nota é o silêncio. Sem carros, sem ambulantes gritando, só o suave compasso das ondas e o forró distante vindo de um quiosque. A praia principal—Praia do Mar de Dentro—se estende em meia-lua, areia clara salpicada de pedras negras e lisas. Calço meus sapatinhos de água, agradecendo pela dica; as pedras são escorregadias e a maré está baixa, revelando piscinas naturais que brilham como vidro. Crianças correm entre elas, gritando quando peixinhos tocam seus pés.

Piscinas naturais e pedras na Ilha de Santo Aleixo

Um guia nos reúne para a trilha curta até a Praia da Ferradura. “Por aqui”, chama ele, facão na mão, abrindo caminho pelo capim queimado de sol. O ar muda—menos sal, mais terra, um leve perfume de flores silvestres. A trilha é fácil, não leva nem dez minutos, e então as árvores se abrem e surge a praia, uma ferradura perfeita de areia abraçando o mar turquesa. Três coqueiros se inclinam juntos na ponta, sombras longas e convidativas. “Melhor lugar pra foto”, indica o guia. “E pra história.”

Ele conta, meio sério, que a ilha já foi um vulcão. “Pode explodir a qualquer hora”, brinca, e o grupo ri, o som levado pelo vento. Aponta o coqueiro solitário, o melhor ângulo para a foto clássica, e uma piscina escondida chamada Piscina da Bruna—batizada, diz ele, por uma famosa que já posou ali. A piscina é escorregadia de algas, as pedras traiçoeiras, mas a água é limpa e fria, um segredo guardado pela ilha.


De volta à praia principal, as barracas começam a despertar. Cada visitante ganha seu espaço—guarda-sol, cadeiras de plástico, uma mesa que logo vai se encher de comida. O ar é tomado pelo cheiro de peixe frito e alho, o chiado do óleo, o azedinho do limão. Peço peixe grelhado e um drink servido no abacaxi, a polpa doce e gelada na boca. O cardápio é simples—pratos para dois por volta de R$150, cerveja long neck por R$15-17, refrigerantes e latinhas por R$10, e coquetéis elaborados por R$40. A música é ao vivo, um homem com violão cantando sertanejo antigo, e o couvert de R$12 quase passa despercebido.

“Peça cedo”, aconselha o garçom, enxugando o suor. “Quando o sol esquenta, todo mundo fica com fome ao mesmo tempo.” Ele ri, lembrando do caos de outros dias—pedidos atrasados, gente irritada, cozinheiro indo embora. “Hoje vai ser tranquilo. Hoje é sossego.”

Barracas e guarda-sóis na areia da Ilha de Santo Aleixo

As horas passam num clima de sol e sal. Alguns se arriscam na banana boat, gritando ao cair no mar, outros passeiam de jet ski, riscando o azul. A maioria só relaxa—entre a sombra dos guarda-sóis, o frescor da água, o ritmo lento do tempo da ilha. O calor pesa, daquele tipo que faz a gente agradecer cada sombra, cada bebida gelada entregue na mão.


No fim da tarde, a maré sobe, engolindo as piscinas, alisando as pedras. A luz amolece, dourada sobre o mar, e a ilha parece ainda mais isolada, como se o mundo além da areia fosse só boato. Caminho pela praia, os pés afundando na areia morna, o riso de desconhecidos se misturando ao silêncio das ondas. Um menino local, uns dez anos, me observa olhando o mar.

“Você gosta daqui?”, pergunta, sem esperar resposta. “É melhor que TV.”

Concordo com a cabeça, sem discordar. O sol se esconde atrás dos coqueiros, os últimos barcos se reúnem para voltar. Aperto a pulseira ainda úmida e sinto o peso do dia—sal na pele, lembrança de risos, o silêncio de um lugar que só pede sua presença.

Na Ilha de Santo Aleixo, o tempo desacelera. O mar canta. E por algumas horas, você lembra como é ouvir de verdade.

Fim de tarde dourado na Praia da Ferradura, Ilha de Santo Aleixo