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Maresias, Ilhabela ou Ubatuba? Descubra o melhor do Litoral Norte
$30 - $200/dia 3-7 dias mai. - ago. (Estação seca (Outono/Inverno)) 5 min de leitura

Maresias, Ilhabela ou Ubatuba? Descubra o melhor do Litoral Norte

Compare Maresias, Ilhabela e Ubatuba: vibe social, charme de ilha e natureza selvagem. Saiba qual praia do Litoral Norte de SP combina com você.

O cheiro é o primeiro a te alcançar—borracha queimada e ozônio. É o aroma da Serra do Mar, a muralha verde e íngreme que separa o frenesi do planalto paulista do Atlântico. Meus ouvidos estalam enquanto o carro desce as curvas fechadas, atravessando nuvens agarradas aos paredões de granito. A estrada é uma fita de asfalto espremida entre a mata e o abismo, e é preciso ir devagar. Não só porque os radares não perdoam a 40 quilômetros por hora, mas porque a descida em si parece um ritual de passagem. Você está deixando o cinza do concreto para trás e entrando em um mundo que respira.

Aqui embaixo, o litoral se divide em três personalidades distintas. Não é só um destino; é uma escolha de ritmo. Ao sul está a energia vibrante de Maresias; do outro lado do canal, espera o refúgio insular de Ilhabela; e mais ao norte, o caos selvagem e expansivo de Ubatuba. Pelo para-brisa, vejo um lampejo de turquesa e sinto aquele velho aperto no peito—a vontade de ver tudo, sabendo que só tenho o fim de semana.


Começo por Maresias. Funciona como um estado soberano do surfe e do status social. Mesmo numa terça-feira, é possível sentir o eco do baixo do fim de semana no ar. É aqui que o pessoal bonito da capital vem para ver e ser visto, onde o surfe é de nível internacional e a vida noturna é lendária.

Praia de Maresias - Foto de Ulysses Martins

Caminho pelas ruas procurando onde largar as malas. A arquitetura é baixa, escondida atrás de muros de hibiscos e buganvílias. Diferente de outros balneários, onde os hotéis invadem a areia, Maresias guarda seus segredos. O pé na areia aqui é luxo raro. A maioria fica a alguns quarteirões da praia, nas charmosas pousadas das ruelas de areia.

"Deu sorte com o trânsito", comenta a dona de uma pequena pousada enquanto faço o check-in. Ela limpa uma prancha de surfe no saguão, a pele marcada pelos anos de sal.

"A estrada estava vazia", respondo.

Ela ri, um som seco. "Volta em dezembro. Vai estacionar na rodovia e andar o resto. Maresias não é só praia, sabe? É um clima. Energia lá em cima. Se quer silêncio, segue viagem."

Ela tem razão. Passo a tarde em Camburi, praia vizinha com um ar mais boêmio. A comida é excepcional—frutos do mar frescos, servidos com a sofisticação da cidade e a alma do litoral. Mas quando o sol se põe, a vontade de seguir em frente volta.


Para chegar a Ilhabela, é preciso se comprometer. O acesso é por balsa, saindo de São Sebastião, uma separação física que muda seu relógio interno. A travessia é curta, nem meia hora, mas a fila pode testar a fé. Em feriados, carros esperam até quatro horas, motores ligados, motoristas suando. Hoje, o canal está calmo, a água de um azul metálico profundo.

Ilhabela—Ilha Bela—faz jus ao nome, mas cobra em paciência e sangue. Os mosquitos, os temidos borrachudos, são minúsculos, silenciosos e vorazes. Aprendo rápido que repelente comum não adianta; só o creme oleoso de citronela vendido nas farmácias locais. Mas a picada é o preço do paraíso mais exclusivo, mais selecionado. A ilha é vasta, quase toda protegida por mata, com uma estrada principal margeando o litoral.

Praia de Maresias - Foto de Jurandir Rezende

Sigo até a Praia do Curral. A areia é dourada, mais grossa que no continente, e o luxo é discreto. É mais tranquila que Maresias, mais romântica. Sento num quiosque, observando os veleiros cortando o vento. Este é o centro da vela no Brasil, e o horizonte nunca está vazio. As pousadas se escondem nos morros, com vistas que fazem esquecer o preço, bem mais alto que no continente. Você paga pelo isolamento. Paga pela sensação de ter escapado.


Se Ilhabela é uma boutique, Ubatuba é um bazar caótico e espalhado. Sigo ao norte, guiando pela estrada sinuosa que conecta as praias. Ubatuba não tem um centro só; são mais de cem praias espalhadas pela costa recortada. É mais selvagem, menos polida e muito mais acessível para quem viaja com orçamento apertado.

Os locais chamam de "Ubachuva"—brincadeira com a fama de chuva. E faz jus: as nuvens se formam assim que cruzo a divisa do município. A chuva aqui é repentina e intensa, alimentando o verde das montanhas que mergulham no mar. Mas quando o sol aparece, a água ganha uma cor inacreditável.

"Tem que merecer a vista", diz um pescador na Praia do Lázaro. Ele conserta uma rede amarela, as mãos ágeis. "O povo reclama da chuva. Mas olha a mata. Olha o mar. Sem chuva, Ubatuba é só poeira. Com chuva, é vida."

Ele indica uma trilha para Sununga e Domingas Dias. É três em um, explica. Em Ubatuba, a natureza é generosa assim. Dá para achar hostel por vinte reais a noite e passar o dia em praias dignas do Caribe, como a remota Ilha das Couves ou a Prumirim, só acessível de barco.


O segredo, percebo ao ver o pôr do sol de um costão, é o tempo certo. As multidões descem no verão, atrás do calor, enfrentando engarrafamentos e tempestades tropicais. Mas o litoral mostra sua verdadeira face agora, nos meses de outono e inverno, de maio a agosto.

Praia de Maresias - Foto de Alexandre Moura

O ar é fresco, o céu de um azul sem nuvens, e as estradas são só suas. O mar fica mais claro, calmo, livre da agitação do verão. Não precisa de calor para sentir o aconchego daqui. Só precisa parar o suficiente para entrar no ritmo. Seja o clima sofisticado de Maresias, o tempo desacelerado de Ilhabela ou o coro selvagem de Ubatuba, o Litoral Norte espera por quem sabe quando chegar.