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Praia do Félix e Praias Secretas de Ubatuba: Guia Prático
$40 - $100/dia 3-5 dias mar., abr., mai., set., out., nov. (Primavera e outono (meia estação)) 4 min de leitura

Praia do Félix e Praias Secretas de Ubatuba: Guia Prático

Descubra como chegar à Praia do Félix, atravessar rochas até a Praia do Português e explorar a trilha para a Praia das Conchas em Ubatuba.

Chegada à Praia do Félix

Em Ubatuba, cada praia exige planejamento — e a Praia do Félix não é exceção. Logo cedo, sob a sombra generosa de um antigo cajueiro no canto direito da praia, equilibro um pastel de queijo quente e um coco gelado, sentindo o cheiro misturado de sal, massa frita e água doce. Mesmo numa terça-feira de setembro, o lugar já começa a ganhar vida, com famílias e surfistas buscando o melhor pedaço de sombra natural. Aqui, a Mata Atlântica avança até a areia, dispensando guarda-sol. O mar, protegido nesse canto, forma piscinas naturais de água verde-esmeralda, onde pequenos peixes circulam pelos tornozelos dos banhistas. Um rio de água gelada corta as pedras escuras e se mistura ao mar, criando um contraste de temperaturas.

O vendedor de pastel, de avental enfarinhado, comenta: "Chegou até aqui embaixo, hein?". Sorrio, mordendo o pastel crocante: "A subida não perdoa, achei que era mais perto". Ele ri: "Da próxima vez, paga os quarenta reais do estacionamento privativo aqui embaixo, tem ducha. Ou deixa lá em cima na Zona Azul por vinte, mas aí tem que encarar a descida. O importante é chegar antes da maré subir. Se quiser ver o Português, tem que ir agora". Ele aponta para as pedras à direita. Agradeço, termino o coco e sigo para o desafio.


Trilha para Praia do Português

Não é bem uma trilha — é uma travessia tática sobre pedras escorregadias de musgo, usando mãos e pés para garantir o equilíbrio acima das ondas. A pedra arranha as palmas, a maresia molha o rosto. Só tente na maré baixa. Em menos de cinco minutos, o esforço compensa.

Águas turquesa da Praia do Português cercadas por falésias

A Praia do Português é um pedaço de areia claro, com menos de 30 metros, cercado por paredões cobertos de mata. A água brilha turquesa sob o sol da manhã. Dizem que o local só existe porque um português explodiu as pedras para criar sua praia particular — outros afirmam que é apenas o nome da família que construiu a casa ali. O que importa é o visual: ondas ecoando entre as pedras, um refúgio que parece de filme.


O Surf Selvagem do Atlântico

Deixo o canto rochoso e caminho pela extensão da Praia do Félix. Do canto direito para o centro e a esquerda, o mar muda: ondas fortes, barulho intenso e menos gente. O fundo cai abruptamente — é praia de tombo —, criando ondas tubulares que atraem surfistas de todo o estado.

Vista ampla das areias douradas e ondas de Ubatuba

O ar é carregado de maresia, o cheiro de mar é intenso. Vejo surfistas deslizando por ondas altas, enquanto quem prefere tranquilidade encontra sombra sob a mata densa. O clima aqui é mais sossegado, ideal para quem busca contemplação e não agito.


Trilha pela Mata até Praia das Conchas

No extremo esquerdo, a areia termina em mata fechada. Ali começa a trilha para a Praia das Conchas, sem placa e já íngreme desde o início. O ar fica pesado e úmido, raízes grossas servem de degraus escorregadios e a trilha exige atenção — chinelo não é boa ideia. São cerca de 15 minutos de subida e descida, mas a sensação é de aventura.

De repente, a mata se abre.

Praia das Conchas com ondas sobre a areia de conchas

Aqui não há areia: o chão é feito de milhões de conchas quebradas, brancas, rosadas e prateadas. Caminhar descalço dói, mas o visual compensa. A praia é pequena, cercada por pedras escuras e selvagens. Sento num tronco e olho para o mar, com a Ilha do Prumirim ao fundo. Barcos passam ao longe, mas aqui só se ouve o som das ondas sobre as conchas.

Já caminhei por praias na Ásia, mas Ubatuba não fica atrás. Mais do que um destino, é um ecossistema vivo de enseadas, ondas e mata. Não basta visitar: é preciso deixar-se levar, de maré em maré, até fazer parte da paisagem.