Ir para o conteúdo
Praia do Rosa: Guia Prático com Trilhas e Vida Local
$50 - $150/dia 2-4 dias mar., abr., ago., set., out., nov. (Final do verão até a temporada das baleias (março a novembro)) 4 min de leitura

Praia do Rosa: Guia Prático com Trilhas e Vida Local

Descubra Praia do Rosa: trilhas, piscinas naturais, surf e o charme do centrinho. Dicas de economia, logística e o melhor da vila em Imbituba.

Uma Chegada Econômica no Urucum

A luz baixa do Urucum mal permite ler o cardápio escrito à mão, mas o aroma marcante de leite de coco e azeite de dendê faz qualquer dúvida desaparecer. "Precisa provar o bobó de camarão", insiste Luiz, argentino de sotaque carregado, enquanto apoia-se na mesa rústica e seca meu copo de cerveja estupidamente gelada. "Muda a vida."

Desconfio do discurso, mas cedo à sugestão. Uma hora depois, raspando o fundo da panela de barro, percebo que o garçon não exagerou: é o melhor bobó da minha vida. A conta? Cerca de 220 reais para duas pessoas—um achado para quem busca sabor autêntico sem estourar o orçamento. São oito da noite e já sinto que Imbituba tem um ritmo próprio, irresistível para quem quer fugir do óbvio.


Amanhecer e Trilha para Praia Vermelha

Acordo antes do sol nas acomodações simples do Jerivá Flats, a 800 metros da praia. Silêncio absoluto, típico de vilarejos litorâneos antes do movimento dos surfistas. O ar fresco traz o cheiro salgado do Atlântico. Nosso destino é o norte, rumo à trilha para a Praia Vermelha.

O caminho é bem marcado, com trechos de passarelas de madeira sobre o solo irregular. À direita, o mar ainda escuro vai clareando aos poucos. Um pescador cruza meu caminho, balde na mão calejada.

"Cedo hoje, hein?", comenta.

"Evitar a muvuca", respondo.

Ele ri: "Na Vermelha? Só vai disputar espaço com as gaivotas."

E está certo. Ao chegar ao topo do morro, a Praia Vermelha está completamente vazia, pouco depois das oito. Só se ouvem as ondas e o grito de duas gaivotas. Com o vento forte e a vista da costa intocada, fica claro por que jornais internacionais elegem esse pedaço como um dos mais belos do mundo.

A costa intocada da Praia do Rosa ao amanhecer


Lagoa do Meio e a História de Dorvino Rosa

Voltando para o Rosa Norte, o sol já seca o orvalho das folhas largas. Lá embaixo, a Lagoa do Meio brilha como um espelho, dividindo a praia. Antes dos anos 70, aqui era Porto Novo, reduto de pescadores. Tudo mudou com Dorvino Rosa, dono das terras e dos caminhos de acesso. Ao invés de expulsar surfistas e hippies, ele acolheu todos, permitindo acampamentos e estadias longas. O espírito boêmio permanece, mesmo que mais sofisticado pelo turismo.

Caminho até as pedras onde as piscinas naturais se formam na maré baixa. A água, verde fluorescente, convida ao mergulho. Mesmo em abril, o sol castiga. Entro na piscina natural e o choque gelado é revigorante.

As margens selvagens e desertas da Praia Vermelha


Caminho do Rei e Mirantes do Atlântico

A fome bate e seguimos para o sul, pelo famoso Caminho do Rei. A trilha antiga liga o Rosa à Barra de Ibiraquera, passando pela Praia do Luz. São só 30 minutos de caminhada, mas a vista compensa.

Do mirante principal, a paisagem impressiona: a Ilha do Batuta no mar, dunas claras de Ribanceira ao fundo. O vento forte traz o som distante dos surfistas. Imbituba é referência nacional do surf, cenário de campeonatos e inspiração para músicos.

De junho a novembro, as águas são também palco das baleias-francas. Não é temporada agora, mas a expectativa faz parte do clima local.

Terminamos o passeio no Maram Beach Club. O deck de madeira tem vista para as ondas. Os preços sobem aqui, mas o polvo grelhado e a cerveja gelada justificam o investimento. O sabor cítrico e defumado fecha o almoço com chave de ouro.


Noite no Centrinho: Vida, Música e Caipirinha

Quando o sol se põe, o Rosa troca o visual rústico pelo charme do centrinho. A poucos minutos do flat, as ruas de terra dão lugar a paralelepípedos, lojas, bares e restaurantes aconchegantes sob luzes de gambiarra.

O ar mistura cheiro de lenha, alho e crepe doce. Música brasileira e eletrônica ecoam das portas abertas. É aqui que a energia do Rosa se concentra à noite. Turistas e locais circulam entre mesas, bronzeados e sorridentes, trocando histórias do dia.

Luzes e vida noturna no Centrinho da Praia do Rosa

Queria encerrar a noite com ostras frescas no Lua Marinho, mas o restaurante está fechado. Não faz falta. O melhor do Rosa não está em listas de "imperdíveis", mas no ritmo do lugar.

Compro uma caipirinha de ambulante, limão e açúcar queimando na boca, e encosto no muro para observar o movimento. O centrinho pulsa, contraste perfeito com a solidão da Vermelha. O legado de Dorvino Rosa vive nos risos, nos surfistas de cabelo salgado e na sensação de estar exatamente onde deveria, mesmo que só por um dia.