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Trilha Morro da Urca: Vista grátis e natureza no Rio
$10 - $30/dia 3-7 dias mai. - out. (Estação seca) 4 min de leitura

Trilha Morro da Urca: Vista grátis e natureza no Rio

Evite o bondinho caro e suba o Morro da Urca pela trilha gratuita. Conheça a Praia Vermelha, micos e as melhores vistas do Rio de Janeiro.

O que realmente compensa no Rio de Janeiro não precisa custar caro — e a trilha do Morro da Urca é prova disso. Enquanto muitos turistas pagam caro pelo bondinho, você pode conquistar a vista por conta própria, subindo por uma trilha cercada de Mata Atlântica, começando na tranquila Praia Vermelha.

Luz da manhã na Praia Vermelha antes da trilha

Logo cedo, a areia avermelhada da Praia Vermelha reflete o sol, enquanto o cheiro salgado do mar se mistura ao ar úmido. São pouco mais de seis horas quando os portões da Pista Cláudio Coutinho se abrem, e os primeiros corredores já aproveitam o caminho pavimentado entre o mar e a floresta densa.


Caminhar por aqui é deixar o barulho da cidade para trás. A maioria dos visitantes do Pão de Açúcar nunca vê esse lado mais silencioso e autêntico do Rio. O verde filtrando a luz, o cheiro de folhas molhadas, o som dos pássaros — tudo isso faz parte da experiência antes mesmo de chegar à entrada da trilha do Morro da Urca, marcada por uma placa de madeira. Às nove em ponto, um guarda-parque libera o acesso:

"Cuidado hoje, hein? As pedras estão suando", avisa ele, com aquele sotaque carioca arrastado, apontando para meus tênis.

Pergunto se escorrega sempre assim. Ele ri: "Aqui é selva, meu amigo. Sempre viva. Fica de olho nas raízes e não deixa os micos roubarem seu lanche."

Mata Atlântica ao longo da Pista Cláudio Coutinho

Não é exagero: os primeiros minutos são uma subida íngreme, com pedras úmidas e terra vermelha escorregadia. As raízes grossas funcionam como escada natural, e o ar fica pesado, abafado pela mata. O cheiro de repelente se mistura ao aroma doce de frutas caídas, invisíveis no alto das árvores.


No meio da subida, o verde se abre e revela um mirante natural. Paro para recuperar o fôlego e vejo o Rio se estendendo embaixo, ainda coberto por névoa. Dá para enxergar o contorno da Praia do Flamengo e a curva da Urca.

Um barulho nos galhos chama atenção: um sagui curioso observa, esperando algum lanche fácil. Resisto à tentação de alimentar — é melhor para eles continuarem selvagens. Depois de um momento de curiosidade mútua, ele some rápido entre as folhas.


Cerca de meia hora depois de sair da pista pavimentada, a trilha termina de repente nas plataformas de madeira do topo do Morro da Urca. O contraste é grande: da floresta fechada para o espaço aberto, com vento fresco e vista panorâmica.

O topo está cheio de turistas de várias partes do mundo, misturando idiomas e sotaques. Entre um café e outro nas lanchonetes, vejo o bondinho passando rumo ao Pão de Açúcar. Aproveito para visitar a exposição do bondinho original de 1912 (entrada simbólica de cinco reais) e observo helicópteros levando visitantes pelo céu.

O bondinho do Pão de Açúcar sobre a baía

Compro uma água gelada e encosto no parapeito. O visual é de tirar o fôlego: barcos na Baía de Botafogo, o verde do Aterro do Flamengo, a ponte Rio-Niterói sumindo no horizonte e a Fortaleza de Santa Bárbara ao fundo.


À medida que a tarde avança, a luz muda e os guardas começam a avisar: a trilha fecha às 17h. Penso nas pernas cansadas e nas raízes escorregadias da descida. O guichê do bondinho chama atenção: por cerca de 40 reais (ou metade para moradores), dá para descer com conforto, suspenso entre o morro e o mar.

Entro no bondinho, cercado de famílias animadas. Quando o chão desaparece e o Rio se abre embaixo, percebo: subir a pé faz a vista valer ainda mais. Comprar o ingresso é fácil, mas conquistar o topo traz uma sensação que dinheiro nenhum paga.