Ubatuba: Praia da Almada, Refúgio Entre Montanhas e Mar
Águas cristalinas, vista para montanhas e almoço pé na areia: descubra a Praia da Almada em Ubatuba, um refúgio tranquilo e perfeito para famílias.
A estrada serpenteia e sobe, o verde apertando de ambos os lados, o cheiro de terra molhada e sal invadindo pela janela aberta. Não sei se é a expectativa ou a altitude, mas o coração bate mais rápido enquanto o asfalto se desenrola rumo ao extremo norte de Ubatuba. Dez minutos de subida suave, daquele tipo que faz esquecer o barulho da cidade, e então—de repente—o mundo se abre. As montanhas despencam até uma faixa de areia em meia-lua, o mar límpido como vidro, um silêncio quebrado apenas pelas risadas distantes de crianças e o suave bater das ondas.

Estaciono onde a areia começa, dando sorte de achar uma vaga gratuita ao lado de um restaurante fechado—meio de semana, fora de temporada, aquela sorte que parece segredo. Na alta temporada, os estacionamentos privados cobram quarenta reais por dia, mas hoje a única moeda é o som do cascalho sob os pés e a promessa de uma manhã sem pressa. Não há estacionamento público aqui, nem zona azul, só alguns pátios escondidos atrás dos coqueiros. Saio do carro, o ar fresco e com cheiro de maresia, e sigo por uma trilha estreita que me leva direto à praia.
A primeira coisa que noto é o silêncio. Mesmo com algumas famílias espalhadas sob a sombra de guarda-sóis de madeira, há uma suavidade no lugar. O mar é calmo, quase sem ondas, daquele tipo que convida a entrar sem pensar. Crianças correm, gritando enquanto as menores ondinhas molham seus tornozelos. A areia é clara e fina, quente sob os pés, e a água—quando finalmente entro—me surpreende pela transparência e pelo frio. Agosto em Ubatuba significa mar gelado, um susto rápido ao mergulhar, mas o sol nas costas faz querer ficar.
Uma vendedora de vestidos passa devagar, os braços cheios de cores. “Você não é daqui, né?” ela pergunta, os olhos sorrindo acima da máscara.
“Não,” admito, “mas bem que gostaria.”
Ela ri, ajeitando as peças. “Fica mais um pouco que vira.”
Observo enquanto ela segue, a voz se misturando ao chamado do sorveteiro e ao tilintar distante de talheres dos restaurantes à beira-mar. Aqui, os restaurantes avançam até a areia, com mesas e cadeiras de madeira sob grandes guarda-sóis. Alguns oferecem espreguiçadeiras robustas, daquelas que a gente afunda e não quer mais sair. Mesmo fora de temporada, há um movimento tranquilo—garçons equilibrando bandejas de cerveja gelada e pratos de peixe frito dourado, famílias dividindo risadas e protetor solar.
O dia passa devagar. Caminho para o norte, passando por pedras, seguindo uma trilha de areia que sobe e desce uma pequena elevação. A vista daqui é de tirar o fôlego: a curva da baía da Almada, as montanhas ao fundo, a água mudando do turquesa ao esmeralda conforme o sol sobe. Logo adiante, está a Praia do Engenho—mais silenciosa ainda, um segredo sussurrado pelos locais. A areia aqui é intocada, o mar calmo como um suspiro. Menos casas, menos quiosques, só o vento nas árvores e o murmúrio suave da maré.

Uma placa desbotada indica uma trilha—Praia Brava da Almada, promete ondas fortes e sossego para quem encara a caminhada. Lembro das histórias de lama escorregadia e descidas íngremes, trilha que pede tênis bom e espírito aventureiro. Hoje, fico só olhando o mar e deixando a ideia de aventura pairar na mente.
No fim do Engenho, um pequeno restaurante chama atenção. A placa diz Cantinho do Sossego—e faz jus ao nome. Sento numa cadeira, pés enterrados na areia, e peço dadinhos de tapioca, crocantes e dourados, com uma cerveja gelada suando no calor. O cardápio é um desfile de sabores locais: camarão ao molho de maracujá, camarão crocante com farofa de banana, tudo servido com vista para o mar. A conta chega e noto um desconto—Prime Gourmet, explica o garçom, um app que transforma caprichos em economia para quem sabe usar. A refeição para dois sai pela metade, e o sabor do mar fica na memória mesmo depois de tirar os pratos.
A tarde se estica, preguiçosa e dourada. Vejo uma família construindo castelo de areia, as risadas subindo acima do silêncio. O sol se esconde atrás das montanhas, pintando a água de cobre e rosa. Penso nas dicas práticas—como Almada é melhor acessada de carro, como a viagem do centro de Ubatuba leva cerca de quarenta minutos, como as melhores opções de hospedagem ficam na cidade, onde a noite é animada e as opções são muitas. Mas aqui, nesse trecho tranquilo de areia, esses detalhes parecem distantes, suavizados pelo sal e pelo sol.

Um morador, pele queimada de sol e olhos vivos, acena ao passar. “Você veio na melhor época,” diz. “Sem multidão, só o mar e as montanhas.”
Sorrio, sentindo a verdade se acomodar no peito. O dia termina sem pressa, num suspiro longo, daqueles que ficam mesmo depois de tirar a areia dos pés. Aqui, onde as montanhas encontram o mar, o tempo se alonga e suaviza, e a lembrança do sal e do sol fica com você, suave como as ondas.
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