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Punta Cana além dos resorts: Bavaro e Isla Saona
$100 - $350/dia 5-10 dias jan. - jul. (Estação seca até o início do verão) 4 min de leitura

Punta Cana além dos resorts: Bavaro e Isla Saona

Descubra Punta Cana fora dos resorts: curtas Bavaro Beach, parasail e passeio completo até Isla Saona. Dicas práticas e custos reais.

Chegada ao Caribe

As primeiras gotas quentes batem no para-brisa, borrando a paisagem dominicana em tons de verde escuro e cinza. Março deveria ser seco em Punta Cana, mas o clima tropical é imprevisível. Limpo o vidro, observando as palmeiras balançarem sob um céu carregado. Ao chegar ao litoral, o mar do Caribe desafia o mau tempo: um azul-turquesa intenso, brilhando mesmo sem sol. Aqui, aprende-se rápido que o clima é parte viva da experiência. Os moradores recomendam viajar entre janeiro e julho, antes da temporada de furacões e das chuvas pesadas de setembro. Mesmo na chuva, o ar carrega cheiro de asfalto molhado e sal, e a água do mar é sempre morna.


Mudando de Ritmo em Bavaro

Começamos hospedados no Hard Rock Hotel, com seu luxo planejado: buffets, piscinas e conforto total. Mas logo bate a vontade de conhecer o real. Trocamos a pulseira do all-inclusive por um apartamento simples no coração de Bavaro. A diferença é imediata: o cheiro de porco assando nas esquinas mistura-se ao aroma forte do mar. Estamos a cem metros do acesso público à Praia de Bavaro, passando por mercadinhos e lanchonetes locais, onde a bachata ecoa de caixas de som estaladas. Aqui está a Punta Cana fora dos portões dos resorts.

As águas calmas e turquesa da Praia de Bavaro sob céu aberto

A areia de Bavaro parece açúcar sob os pés. Como estamos em apartamento, buscamos trechos mais tranquilos, longe das equipes de animação dos mega-resorts. Famílias se espalham em cangas coloridas, e alguns locais alugam cadeiras sob coqueiros. O clima é devagar, autêntico e sem ostentação.

Um senhor de pele escura se aproxima, mostrando um folheto plastificado de esportes aquáticos já bem usado.

"Quer voar hoje, amigo?" pergunta, apontando para um paraquedas amarelo no céu.

"Prefiro manter os pés na areia," respondo, protegendo os olhos do sol forte.

Ele ri alto, competindo com o som das ondas. "A areia é boa, mas o céu é melhor. Noventa dólares para vocês dois. Melhor vista da República Dominicana. Só esperar meia hora pelo barco."


Vista do Alto

O passeio de parasail é exatamente como prometido. O barulho da praia some, substituído pelo vento e o azul sem fim. O arnês pressiona as pernas, lembrando que ainda há gravidade enquanto subimos. Lá de cima, dá para ver onde o recife quebra as ondas, formando uma lagoa cristalina. Mas o verdadeiro coração desse litoral está mais distante.


Rumo a Bayahibe

Na manhã seguinte, antes do sol secar o orvalho das palmeiras, já estamos em uma van rumo ao sul. O transfer nos buscou direto no Airbnb, levando-nos para longe dos resorts até Bayahibe, um vilarejo de pescadores que serve de ponto de partida para Isla Saona—nome reverenciado por quem conhece a região.

Barcos coloridos no porto de Bayahibe

Bayahibe é puro movimento e cor. Barcos de madeira pintados em vermelho e azul balançam no porto, encostando uns nos outros. Subimos em um catamarã, sentindo o motor vibrar sob os pés. O trajeto já é parte do passeio. Antes de chegar à ilha, o capitão ancora em uma piscina natural a quilômetros da costa.

A água chega à cintura e é tão transparente que dá para contar as estrelas-do-mar no fundo. Um tripulante serve rum dominicano com refrigerante em copos plásticos. O sabor é intenso, doce, com notas de melaço. Ficamos ali, no meio do mar, bebendo rum sob o sol, desconectados do resto do mundo.


O Encanto da Isla Saona

Ao desembarcar em Isla Saona, a beleza impressiona: areia branca, coqueiros inclinados sobre o mar, cenário de cartão-postal. O almoço é coletivo, sob palhoças: peixe grelhado com sal, arroz com feijão e cerveja Presidente gelada, tudo incluso no passeio.

Areia branca e coqueiros inclinados na Isla Saona

Caminhamos pela praia, perdendo a noção do tempo, hipnotizados pelo ritmo da maré e pelo silêncio a poucos metros do restaurante. A água parece vidro.

"Precisamos ir," diz meu acompanhante, quebrando o encanto, com pressa na voz.

Olho o relógio. O barco sai em cinco minutos. Corremos pela areia, rindo, até o bote que nos leva de volta ao catamarã. Quando a ilha vira um ponto verde no horizonte e o gosto de sal ainda está nos lábios, percebo que o verdadeiro luxo da viagem não está nos lençóis ou nos buffets, mas nesses momentos roubados, correndo para não perder o barco, querendo só mais um segundo no paraíso.